Para seguir a Cristo, devemos não somente abandonar alguns pecados específicos, como também renunciar aos nossos desejos egoístas, que se encontram na raiz de todos os nossos pecados. Seguir a Cristo é entregar a ele os direitos sobre a nossa própria vida. É também abdicar ao trono do nosso coração e reverenciá-lo como nosso Rei. Jesus descreve vividamente, em três frases, essa renúncia.

Negue-se a si mesmo: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue”. Esse mesmo verbo foi usado quando Pedro negou ao Senhor no pátio do palácio do sumo sacerdote. Devemos repudiar a nós mesmos da mesma forma  como Pedro repudiou a Cristo quando disse, “Não conheço tal homem”. Não se trata de parar de comer doces ou de fumar definitivamente ou por um período de abstinência voluntária. A questão não é negar algumas coisas a si mesmo, mas negar a si mesmo. É dizer não ao eu e sim a Cristo; repudiar o eu e reconhecer a Cristo como Senhor de nossas vidas.

Tome a sua cruz: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me”. Se vivêssemos na Palestina, na época de Jesus, e víssemos um homem carregando uma cruz, nós saberíamos imediatamente tratar-se de um condenado à penalidade máxima, pois a Palestina era um país ocupado, e era assim que os romanos castigavam seus condenados. O professor H. B. Swete escreve em seu comentário sobre o evangelho de Marcos, que tomar a cruz é “colocar-se na posição de um homem condenado, a caminho de sua execução”. Em outras palavras, tomar a cruz é crucificar o eu. Paulo usa essa mesma metáfora quando declara que, “Os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne [isto é, nossa natureza corrupta] com as suas paixões e concupiscências”.

Na versão de Lucas dessas palavras de Cristo, a expressão “dia a dia” é acrescentada. Isto significa que o cristão deve morrer diariamente. Todos os dias ele renuncia à soberania de sua própria vontade. Todos os dias ele renova a sua entrega incondicional a Jesus Cristo.

Perder a sua vida. A terceira expressão usada por Jesus para descrever a renúncia ao eu é perder a vida: “Quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; quem perder a vida por minha causa, esse a salvará”. A palavra “vida” aqui não denota a existência física, nem a alma, mas o nosso eu. A psique é o ego, a personalidade humana, que pensa, sente, planeja e escolhe. De acordo com um ditado semelhante preservado por Lucas, Jesus simplesmente usou o pronome reflexivo para falar sobre o homem perder “a si mesmo”. O homem que assume um compromisso com Cristo perde a si mesmo. Isso não significa que ele perde a sua individualidade. A sua vontade é, de fato, submetida à vontade de Cristo, mas a sua personalidade não é absorvida pela personalidade de Cristo. Ao contrário, quando o cristão se perde, ele encontra a si mesmo e descobre a sua verdadeira identidade.

Assim, para seguir a Cristo, temos que negar a nós mesmos, crucificar a nós mesmos e perder a nós mesmos. Isso é o que Jesus requer de cada um de seus seguidores. Ele não nos chama para segui-lo de forma displicente, mas através de um compromisso forte e absoluto. Ele nos chama para que façamos dele o Senhor de nossas vidas.

Trecho extraído do livro Cristianismo Básico. Ultimato, 2014.