Por Que Um Reavivamento é Necessário?
Palavra

No mesmo ano que se celebra os quinhentos anos da Reforma Protestante, faz-se necessário uma reflexão profunda sobre a saúde espiritual da igreja. Mesmo tendo igrejas saudáveis e cheias do Espírito Santo espalhadas pelo mundo, o cenário geral é assaz preocupante. Há perigosas ameaças à igreja. Vejamos:

Em primeiro lugar, a ameaça do liberalismo teológico. O Racionalismo trouxe em suas asas a ideia de que a razão humana é o supremo tribunal aferidor da verdade. O Iluminismo colocou o homem no centro do universo. A Alta Crítica, faz uma releitura da Bíblia e assaca contra ela pesadas acusações. Acusam a Bíblia de ser um livro eivado de erros e prenhe de mitos. O resultado é que esse viés teológico, como um veneno letal, devastou a igreja onde chegou. Os seminários, que outrora formaram teólogos, pastores e missionários, agora, plantam ceticismo, promovem incredulidade e espalham apostasia. Os sinais da devastação provocada pelo liberalismo teológico podem ser vistos na Europa, na América do Norte e também no Brasil.

Em segundo lugar, a ameaça da secularização. O humanismo idolátrico baniu o jugo de Deus. Karl Marx, com seu materialismo dialético tirou Deus da história, Charles Darwin, com sua teoria da evolução, tirou Deus da ciência. Sigmund Freud, o pai da psicanálise, tirou Deus do inconsciente humano. Friedrich Nietsche, do topo de sua soberba intelectual, disse que Deus morreu. Richard Dawkins, o patrono dos ateus contemporâneos, disse que Deus é um delírio. O homem, besuntado de orgulho, baniu Deus de sua vida e de sua história. Até mesmo aqueles que professam a fé cristã, em muitos redutos, já empurraram Deus para a lateral da vida e vivem para o seu próprio deleite e não para a glória de Deus. Tudo agora gira em torno do homem. Tudo acontece pelo homem e para o homem. A secularização está entrando nas igrejas, deixando-as anêmicas e desidratadas. A falta de engajamento e fervor da maioria dos crentes é um fato incontroverso.

Em terceiro lugar, a ameaça do sincretismo. No afã de atrair mais pessoas para o seu arraial, muitos líderes, desprovidos da verdade, introduzem na igreja crendices pagãs e práticas estranhas à sã doutrina para enredar os incautos. Torcem a palavra de Deus. Inventam novidades. Acorrentam o povo com as cordas da ignorância. Por causa da ganância insaciável, esses corifeus do engano, transformam o evangelho num produto híbrido, o púlpito num balcão, o templo numa praça de negócios e os crentes em consumidores. O vetor que move esses arautos da mentira é o lucro. Esses lobos travestidos de pastores arrancam a lã das ovelhas e devoram sua carne, dando-lhes o caldo mortífero das últimas novidades do mercado da fé, para mantê-las prisioneiras do engano religioso. 

Em quarto lugar, a ameaça do mundanismo. A verdadeira doutrina desemboca na verdadeira ética. Os reformadores ensinavam a vida simples e viviam de forma modesta. A simplicidade era a marca do cristão. O ideal desses homens não era ajuntar tesouros na terra, mas no céu. Não era ostentar bens materiais, mas promover a fé. Não era copiar o mundo em seus conceitos, valores e prazeres, mas inconformar-se com ele. Não era viver no fausto e no luxo, mas proclamar o evangelho, mesmo sob severa perseguição, e isso, até aos confins da terra. A paixão pela glória de Deus foi sendo perdida a cada geração. O entusiasmo com o avanço do evangelho entre as nações arrefeceu. A igreja passou a amar o mundo e a conformar-se com ele em vez de ser luz no mundo e embaixadora do reino de Deus.

Em quinto lugar, a ameaça da ortodoxia sem piedade. A ortodoxia é necessária, inegociável e insubstituível, mas a ortodoxia precisa vir acompanhada de piedade. Uma ortodoxia ossificada produz morte, pois a ortodoxia morta, mata. Não basta crer nas doutrinas certas, é preciso viver da maneira certa. Não basta ter luz na mente, é preciso ter fogo no coração. Não basta ter conhecimento certo, é preciso praticar o que é certo. Não basta convicção, é preciso poder. Não basta ter zelo pela sã doutrina, é preciso praticar o genuíno amor. O descompasso entre teologia e ética, doutrina e vida, fé e conduta tem sido um grande estorvo ao avanço da fé cristã. Em face das considerações retro mencionadas, é mister a igreja arrepender-se e clamar por um poderoso reavivamento espiritual, preparando o caminho do Senhor, para que ele se manifeste. 

Reverendo Hernandes Dias Lopes
Diretor executivo da LPC

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O Inverno da Alma
Palavra

“Sustenta-me conforme a tua palavra, para que eu viva, e não me deixes envergonhado da minha esperança.” Sl 119.116

Adentrávamos o inverno! Lutávamos por aquecer, de alguma forma, aquele quarto que abrigava o sofrimento. 
O inverno chegou; não apenas o sentia fisicamente, mas a alma era tomada pelo frio. O vento soprava dentro e fora. Às vezes faz frio em nossa vida! Tudo gela, paralisando a esperança. O frio de fora é vencido por recursos materiais que nos aquecem. O frio de dentro chega de mansinho, quase que imperceptível. O coração se esfria, o calor desaparece sem ser percebido. A energia do começo do sofrimento aos poucos se escoa, o coração esfria e o tremor por dentro toma conta. 
A desesperança é soprada dentro da alma.

Paradoxos misteriosos. No momento do frio surge uma pequenina chama que aquece! Sei que vem da parte de Deus a notícia que meu pai fora alçado à plena vitória! Terá agora a vida com Jesus, livre de sofrimentos, tristezas e lágrimas. Gozará o descanso merecido (há tempos estava enfermo). Jesus o tornou merecedor através da sua sacrificial cruz.

Entristecia-me, porém, o fato de, num momento como esse, estar impedida de compartilhar a presença com os meus. Porém, a centelha da chama, da esperança e da gratidão encheu e aqueceu o quarto, pela fundamental esperança que somente Jesus nos dá: a certeza da vida eterna com ele!

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Evangélicos não praticantes
Palavra

Se a palavra “evangélico” está cansada, em crise – e se tornou problemática –, já a expressão “evangélicos não praticantes” está na moda. É uma categoria crescente nos relatórios do senso religioso, das amostragens do IBGE e afins.

Muito triste! E não faz sentido algum. Aliás, “evangélico não praticante” é como água seca, bola quadrada, reta torta. Uma contradição de termos. Nonsense.

Para quem se dedica a pensar o tema, o problema está relacionado, entre outras coisas, com o tiro no pé que é o projeto megalômano do neopentecostalismo. Um fenômeno baseado em uma religiosidade “água-com-açúcar” total, abatida, combatida, discutida, famigerada, e na tão rasa teologia da prosperidade que propõe, entre outros absurdos, o seguinte:

“Crente não sofre.
Crente tem de ser rico.
Crente não fica doente ou só. 
Muito menos deprimido ou desempregado.”

Basta ler as Escrituras para perceber que isso não pode ser verdade! Jesus não era rico e sofreu. Paulo ficou doente e foi abandonado por muitos “falsos irmãos” e amigos reais. Sansão, Elias, Davi, Jeremias... Toda essa gente de Deus, guerreiros do Senhor, mesmo, ficou deprimida e passou pelo deserto, pela “noite escura da alma”, na expressão fabulosa de João da Cruz. E daí? Saíram mais fortes e renovados. Além de que podemos ser fiéis a Deus, nos ensinaram a não sermos, necessariamente, felizes – não no conceito e nos valores desse mundo vão, hedonista, de gente vazia e egocêntrica. Pense bem: deve ser terrível voltar-se para dentro de si e não achar nada. Só um vão, um buraco espiritual, afetivo e existencial.

Ser evangélico (ou crente, ou protestante, ou católico, ou, em suma, cristão) e não praticar o evangelho, não exercitar sua fé na redenção, no perdão dos pecados, na graça sem fim, na necessidade e beleza da santidade, na luta contra o mal em nós e no mundo, não é apenas falhar em frequentar cultos (religiosamente! ) - é não encontrar Jesus na balbúrdia no trânsito, no lufa-lufa da agenda, no monte de contas pra pagar sem o dinheiro correspondente, no escuro ansiolítico e depressivo da madrugada insone, no olhar do pobre pedindo pão e amor no farol, assim como não reconhecê-lo na mesa farta, na festa de formatura, no check out do supermercado, na caminhada com o cachorro no parque arborizado do sábado.

Sim, praticar o evangelho tem muito a ver com a membresia comprometida, efetiva, engajada, sacrificial, até com uma igreja local, comunidade de seguidores do Cristo, onde adoramos, aprendemos, servimos a Deus, uns aos outros e à sociedade. Espiritualidade carreira-solo é piração pós-moderna, cristianismo que virou suco. Fé liquefeita, como diria Baumann.

E, sim, compromisso com a igreja local como sinal do compromisso com o Cristo, significa compromisso com as ordenanças sacramentais: Batismo e Ceia do Senhor. A quem fica três ou cinco meses sem participar da Santa Ceia e ainda diz, desrespeitosamente, que "ceia não salva", barateando a graça, eu digo, com temor e tremor: “tenho dificuldade em pensar que alguém que diz que ceia não salva, foi salvo!”. 

Viver o evangelho é crer e agir. Crer que a graça é tudo – melhor que a vida. Que o perdão é real e possível. Que a partilha é mandamento inadiável. Que o afeto é sagrado. Que Igreja não é para domingo. É um relacionamento forte, santo, intencional, perseverante e bíblico com outros praticantes do evangelho da graça – gente que espalha que o reino (governo, domínio, vida, revolução) do Senhor ressurreto já está aqui e está vindo com gás e força total.

Dentro de nós.
Por meio da gente. 
No nosso entorno.
Eita boa notícia! 
Evangelho é uma notícia. 
Evangelho é uma prática.

E crente ora. Lê a Bíblia. Contribui. Dá de si. Generosamente.

Quando isso mudar, é por que Jesus voltou. Ou as galinhas passaram a ciscar para frente, com diria minha mãe. Careta, né? Tão careta quanto respirar e dormir. Pare para ver...

Volte para Jesus. Volte para a Igreja. Pratique o Evangelho: não há nada que eu faça para ser mais ou menos amado por Ele. Eu sou amado. Que coisa mais da hora!

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Cristianismo é Cristo

Mas o que para mim era lucro, passei a considerar como perda, por causa de Cristo. Mais do que isso, considero tudo como perda, comparado com a suprema grandeza do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor, por quem perdi todas as coisas. (Filipenses 3.7-8)

É incrível como muitas pessoas pensam que a essência do cristianismo é crer no credo, viver uma vida reta ou ir à igreja. Todas essas coisas são importantes, mas não representam a centralidade de Cristo. Elas precisam ler a Carta de Paulo aos Filipenses, especialmente o capítulo 1, versículo 21, que diz: “Para mim, o viver é Cristo”.

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Chuva de primavera
Palavra

Peça ao Senhor chuva de primavera, pois é o Senhor quem […] envia a chuva aos homens (Zc 10.1)

Salvo em caso de pecado, os israelitas podem contar com as primeiras e as últimas chuvas (Dt 11.13-15), também chamadas chuvas de outono e de primavera. Estas últimas eram as chuvas serôdias, isto é, aquelas que vêm no final da estação própria.

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